Não importa os percalços… o MELHOR exige o MEU melhor!

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Axé a todos! Compartilho com muito carinho e cheia de boas intenções trechos do “capítulo 10” do livro SAÚDE E ESPIRITUALIDADE – organizado por Paulo Celso Nogueira Fontão e outros… Inclusive minha filha Gabriela participa ativamente dessa organização e ainda escreve alguns capítulos, como é o caso do “capitulo 10”  que transcrevo aqui… é o trecho em que Gabriela fala de sua experiência pessoal, a qual, fortalece meu/nosso empenho, vivifica minha/nossa fé e faz com que  saiamos totalmente da zona de conforto e foquemos no futuro. Em um futuro melhor. (Creio que a assistência de nossa Casa esteja entendendo bem o que estou falando)

Bom, leiam com atenção, reflitam… Entendam onde quero chegar quando digo que vale a pena o esforço, vale a pena acreditar e lutar. Percalços existem sim! Pessoas achando que enlouquecemos, julgando, boicotando ou mesmo torcendo contra, terão aos montes… Mas você decide se quer o MELHOR. Você!!

Claro que você precisará sair da zona de conforto e ter respiração pausada, certeza mental, coração mutante, olhar de longe alcance, joelhos que se dobram com facilidade, resiliência na alma, músculos de aço e ainda interiorizar: o MELHOR exige o MEU melhor!!! Simples assim…

Inspirem-se e lutem… todos os atributos ditos acima você também tem. Eu garanto, pois são as materializações de sua Fé e as manifestações de seu Deus ‘em’ e ‘por’ você.

Axé!

EXPERIÊNCIA PESSOAL

por Gabriela Caraccio

Fui batizada na igreja católica e frequentei durante grande parte da minha infância a igreja, as missas e mesmo a catequese. Minha mãe dizia que era muito importante ter uma religião, uma fé, mas que ficava a meu critério escolher qual seguiria. Ela me ensinou sobre várias religiões, me levou em vários cultos e assim tive a liberdade de optar pela que mais me identifiquei e me acolheu: a Umbanda. Isso foi aproximadamente aos meus 10 anos de idade quando “vesti o branco” – termo que a umbanda usa quando o fiel se insere na religião ativamente. Aos 13 anos passei por um dos momentos mais difíceis e inexplicáveis da minha vida quando, depois de um diagnóstico inicial de torcicolo, fui internada às pressas em um hospital público só que agora com um correto diagnóstico: abcesso cervical com 20% de chance de sobreviver caso desse certo – o “tudo dar certo” significava conseguir em 2 horas sala cirúrgica, vaga na UTI, cinco equipes médicas para uma cirurgia de alto risco, quarto etc…

Com quase tudo dando certo fui para a cirurgia sem saber o que estava acontecendo tanto que não tive tempo para o medo, só sabia que poderia não voltar.

Aqui abro parêntese para reproduzir a experiência de meus pais e alguns poucos amigos que na entrada da madrugada estavam do outro lado da porta, o relato começa pela sala tortuosa de espera e segue pelo tempo interminável e frio onde paralisava o grande relógio e deixava formar eco em meio aos corredores.

Meu pai andava, chorava e se indignava; olhava para o relógio, para a porta, para o alto e nada o acalentava, nossos amigos seguiam os passos dele, esperavam, brigavam com lágrimas que insistiam escorrer pelo rosto e se apertavam em busca de um colo, de um consolo. Já minha mãe era a única que sentada de olhos fechados, respirava suavemente, estava serena, calma e, como ela mesmo disse “ estava aproveitando o momento para descansar um pouquinho depois daquele dia tão puxado”.

Em determinado momento meu pai, no auge da revolta e dor, olhou profundamente para minha mãe e disse: “e agora mãe, o que fazemos? E se perdermos nossa filha? O que fazemos, mãe me diz?” Minha mãe colocou as mãos no ombro dele e disse serenamente “agora pai, agora vamos praticar aquilo que nossa religiosidade nos ensina, agora vamos exercitar nossa espiritualidade, fé, amor e confiar que tudo está sob o olhar de nosso Divino Pai Olorum. Vamos nos acalmar, descansar e nos preparar para o milagre que Olorum nos reserva, seja o da vida ou da morte, mesmo porque sabemos que para nós umbandistas a morte é só uma passagem natural, um momento muito especial para qualquer ser e, portanto, deve ser envolvido por amor, respeito, aceitação, compreensão, permissão e certeza que só morre a matéria não o espírito.

Se acalma pai, e vamos descansar, nossa filha está em boas mãos, está nas mãos de Iemanjá, mãe da Coroa de nossa filha e de médicos juramentados em favor da vida”.

Instantaneamente todos se acalmaram, meu pai sentou encostou no ombro de minha mãe e falou: “você tem razão, a espiritualidade e os médicos sabem perfeitamente o que fazem”Nesse episódio a espiritualidade fez-se presente tranquilizando meus pais e amigos, sensação que a ciência teria muita dificuldade de promover.

Depois de 28 dias internada, no dia 18 de outubro, véspera do aniversário de minha mãe, falei para ela que queria muito ter alta, firmemente minha mãe respondeu ao meu desejo dizendo que só por um milagre eu voltaria para casa tão cedo, afinal, teríamos naquele dia uma punção na cervical para ser realizada e esse tipo de procedimento seria delicado e necessitaria de mais cuidados. Eu entendi, concordei, mas afirmei “tudo bem mãe, mas para a espiritualidade tudo é possível, não é?”.

A punção aconteceu normalmente, muito dolorida e quase sem resultado ao amanhecer na habitual visita médica ouvimos logo após um rápido bom dia a inexplicável pergunta: “quer ir para casa, Gabriela?”. Creio que não preciso dizer qual foi a minha resposta, minha mãe ganhou um presente embrulhado em milagre e eu, apesar de ter perdido a sensibilidade no lobo da orelha direita e diminuição motora do lábio inferior à direita, reafirmei meu futuro junto a esse ambiente onde, mesmo sem saber profundamente, a ciência e a fé comungam em favor da vida.

Me recuperei bem com a alta antes do previsto e após alguns anos, convicta de minha escolha, me matriculei no cursinho preparatório pré-vestibular e mergulhei de cabeça nos volumes, regras, números, constatações, índices, limites, acertos e erros. Após quatro anos, nesse meio envolvida com tantos livros e estudos, comecei a ter dificuldade em relacionar a ciência com a religião ou ainda, minha vida mais intelectualizada com a espiritualidade. Essas relações não comungavam, era impertinente me ver espiritualizada se aprendia que a religião é o ópio do povo como afirmou Karl Marx, era conflitante ser religiosa, pensar na criação e ação divinas se aprendia terminantemente que a origem do universo está baseada na teoria da Grande Explosão – Big Bang. Chegava a me sentir envergonhada ao mencionar a força da minha religião na minha vida, pois para muitos pensadores, mestres e professores a religião é usada como fuga ou como dominação sobre o ser humano – como pensava Nietzsche. Pior ainda era começar a conhecer e entender a fisiologia do corpo humano com suas doenças e curas e ouvir em meu terreiro (uma entre tantas nomenclaturas dadas aos núcleos religiosos da Umbanda) que a prática religiosa cura, alivia ou recupera.

Eram muitas indagações com esse mesmo teor que torturavam meu espírito, minha razão, minha relação com minha religião, com meus estudos e escolha profissional, chegava a me sentir paralisada e amedrontada. E como chorava!

Uma noite, durante uma gira espiritual, uma Entidade me chamou para conversar, aí desbanquei a chorar e aflita dizia que não estava podendo acreditar naquele mundo do Transcendente, que isso me doía demais, que estava percebendo que teria de escolher entre a espiritualidade e a ciência. “A ciência não aceita, não entende e não permite o karma, dharma ou até mesmo o destino. Tudo são fatos, não há outra forma de curar, de saber, de constatar. A verdade está baseada na razão”, afirmava e soluçava. 

A Entidade ouviu pacientemente, tentou por algumas vezes me acalmar e me convencer de que não era assim, por fim, percebendo como era tão difícil toda aquela situação para mim, aconselhou que me afastasse dos trabalhos espirituais afirmando que o bem foi criado para promover e prover o bem – assim é em qualquer situação, tempo e espaço, e concluía dizendo que compreendia minhas necessidades. Confesso que respirei aliviada e continuei com meus estudos. Passaram-se alguns dias, semanas e as coisas começaram a ficar ruins para mim, muita dor de cabeça, dor no corpo dificuldade de respirar, falta de energia, muita tristeza, falta de foco. Fui aos médicos, vários, e nada melhorou, nada se constatou, nada me curou.

Com tudo piorando e muito desmotivada, quase que carregada, fui a gira de Umbanda e coincidentemente a mesma Entidade me chamou. Ao me aproximar entre lágrimas comecei a perceber uma relevante melhora, um alivio de alma, um forte reestabelecimento do corpo enquanto ouvia aquela Entidade quase que cantando em meu ouvido, quase adoçando minha saliva ou ainda elucidando a minha razão: “sabe filha, nós podemos caminhar juntos, cada um fazendo sua parte sem tumulto ou sofrimento em prol de algo maior. Nós não invadimos a ciência e a ciência não invade a espiritualidade. Não somos egocêntricos e a ciência perfeita também não é, pelo contrário, assim como nós, ela é aberta, atraente, doadora, pacificadora, realizadora multi em disciplinas, línguas, tempos e vidas… Além disso, a ciência e nós – a espiritualidade – temos os mesmos objetivos: a cura do ser humano e essa não se faz plena sem corpo e espírito sãos. Perceba, filha, através de suas próprias experiências de vida e caso ainda tenha dúvidas espere mais algumas Luas (forma que normalmente as Entidades da Umbanda referem-se às semanas) que eu te levarei a um centro de ciência muito elevado que comunga essa mesma certeza”.

Ainda sem saber como faria para que as minhas crenças, para que toda aquela força transcendente não influenciassem a minha ciência e conduta médica me acalmei, melhorei consideravelmente, continuei meus estudos firmemente, retornei aos poucos ainda bem cautelosa as giras e esperei ansiosamente as Luas (semanas) passarem.

Alguns meses depois, ao encontrar novamente aquela Entidade, me ajoelhei  para agradecer a conquista de uma vaga no curso de Medicina na Faculdade Santa Marcelina – Itaquera/ SP. Ela gentilmente me pegou pelas mãos, me levantou e disse: “filha, um novo ciclo se inicia, agora se faz importante guardar profundamente dentro de seu espírito o que vou lhe dizer, pois fará toda a diferença para você no exercer dessa profissão que escolheu e lutou para conquistar, lembre-se filha, ter religião é diferente de ser religioso, ter religiosidade, ser espírita ou ter  espiritualidade. Na sua profissão tem que reinar a ciência comungada com a religiosidade e com a espiritualidade, ela nunca deverá ser exercida levando a ciência ou a religião, seja qual for, acima de tudo e todos.” Concordei e silenciei inspirando profundamente aquelas sábias palavras.

E sobre o “centro de ciência muito elevado que comunga com essa mesma certeza”, que a Entidade mencionou, encontrei depois de alguns dias matriculada na FASM – Faculdade Santa Marcelina. Nesse lugar, nessa faculdade encontrei disciplinas, um forte corpo docente, uma base que afirma o valor da espiritualidade na cura, na melhora, na formação da vida assim como a razão, as fórmulas e as estatísticas.

Sob esse olhar inovador, além das matérias mais tecnicistas que são, obviamente, de extrema importância, encontrei-me num processo de aprendizagem em que matérias como espiritualidade, comunicação, psicologia médica, antropologia, medicina de família e comunidade são relevantes na formação dos profissionais da saúde.

Tais disciplinas propõem que nós, futuros médicos, liemos com o ser humano como um todo, com seus sentimentos, aflições, espiritualidades, crenças, família etc. Aproveitando da espiritualidade do paciente em favor de sua própria cura, com a mente, o corpo e tudo que está ligado a ele.

Sob esses estudos e renomados mestres pude acalmar meu coração das aflições e conflitos que vivia em relação à ciência e religião, pude confirmar que uma dor de cabeça pode ser totalmente corporal, científica, médica, como também psicossomática, sentimental, espiritual, como acredita minha fé.

 

por Gabriela Caraccio e
Mãe Mônica Caraccio

 

6 ideias sobre “Não importa os percalços… o MELHOR exige o MEU melhor!

  1. É Gabriela…. quantas emoções quantas histórias, quantas batalhas vencidas, hoje relendo seu depoimento me emocionei ….mesmo nos momentos mais doloridos você se manteve firme e hoje te considero uma pessoa vitoriosa. Parabéns pelo livro sinto orgulho de você.

  2. Que relato extraordinário!!!
    Eu acredito nessa medicina que vê o ser humano como um todo!!!
    Salve nossa Umbanda!!!

  3. Que texto mais bem escrito! Parabéns mesmo, Gabriela! Uma reflexão e tanto.
    Obrigada por compartilharem!
    Axé!!!

  4. Prezada Gabriela Caraccio!! *Gostaria de parabenizá-la pelo seu depoimento e a participação como colaboradora no Livro Espiritualidade e Saúde. Seu relato ratificou muito mais a minha FÉ pela nossa UMBANDA. Sou Enfermeiro Assistencial, formado pela FACENF/UFJF/MG, desenvolvo minhas atividades laborativas no HUJF/UFJF./MG e como docente nos cursos técnicos da área de saúde. Gostaria de abrir um … “Quando a Espiritualidade Amiga de Luz pegou em suas mãos e com olhar compassivo e misericordioso disse .:-“‘FILHA, UM NOVO CICLO SE INICIA …”. ELA apenas confirmou, Gabriela, na nossa vida nada acontece por acaso;- aos Olhos de Deus nosso Pai Olorum, nenhuma folha cai de uma árvore sem que ELE não tenha conhecimento.” Felicidades, é o que desejo para você irmã de fé. Att. Jarbas Gaspar.
    Em Tempo … Gostaria de adquirir o livro “Espiritualidade e Saúde” – espiritualidade na formação profissional em saúde

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